quarta-feira, 10 de junho de 2020

Por enquanto

Flores,amores, versos, canções...
Alegria, poesia , sabedoria, dia...
Doces, sabores, saberes, diversos...
Gritaria, sombria, disperso...
Vida, sofrida, lida, esplêndida...
Espanto, encanto, canto...
Assim, enfim, fim.
Final ou por enquanto...

terça-feira, 2 de junho de 2020

Nesses dias pelas janelas.


Pela janela do quarto pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle 
Fonte: LyricFind    Compositores: Adriana Calcanhotto
Letra de Esquadros © Sony/ATV Music Publishing LLC, Tratore

Adriana Calcanhotto - Esquadros

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Sol sublime por amor

Durante o dia, passei agitado, horas cansativas, meio estressado.
Mas pra acalentar me,  pensei para que tudo isso, pois esse trabalho sera findado.
Então olho pela janela e contemplo um espetáculo que da valor a vida, mesmo que por instantes tão sofrida.  
Hoje o pôr do Sol, esta lindo, magnifico (coisa de Deus), maravilha só Ele mesmo para fazer obra tão perfeita e sublime.
Mesmo havendo geniais pintores, escritores, inventores, fotógrafos, artistas sejam quem for, nunca serão capazes de criar algo tão belo, que transcende.  
Só o eterno criador Deus, que por linhas certas e cores repletas assim o fez.  
Assim então compreendi que no fim do dia ou da vida tu estarás ali pra me dizer "Acalma-te e contemple , pois foi tudo por você".
       

sexta-feira, 8 de maio de 2020

" A visão da lua pela janela indiscreta "

Da janela indiscreta de onde vejo tudo, mas nem tudo escrevo.
Passam os dias, as noites chegam.
Daqui agora vejo ela , linda, muito bela. Aquela que aos poetas inspira, em prosa e versos, romances e paixão. 
A lua que baila ao longe nos céus. 
E aqui no isolamento, não que esteja cheio de lamento; mas o com o coração cheio de contentamento por a vê  bailar. 
O que neste instante lamento é não estar em meio a rua para ver te  melhor lua.
Mas daqui dessa janela indiscreta como um espião, estou admirando como és bela , vós lá nos céus resplandescente. Linda, linda, bela, bela, grande é a  admiração que sinto,  seleta e crescente. Aqui  nessa Visão da janela indiscreta.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A descoberta do mundo

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem
de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu
lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
− Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
− Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.
− Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha
cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras
crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa
cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
− E agora que é que eu faço? − perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
− Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga
a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
− Acabou-se o docinho. E agora?
− Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha
que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a
vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava
obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
− Olha só o que me aconteceu! – disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
− Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir
mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não
perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra
da boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

06 de junho de 1970
(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo – crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.289-91)

terça-feira, 7 de abril de 2020

Fragmento poema Dispersão


Perdi-me dentro de mim 
Porque eu era labirinto, 
E hoje, quando me sinto, 
É com saudades de mim. 

Passei pela minha vida 
Um astro doido a sonhar. 
Na ânsia de ultrapassar, 
Nem dei pela minha vida... 

Para mim é sempre ontem, 
Não tenho amanhã nem hoje: 
O tempo que aos outros foge 
Cai sobre mim feito ontem.

(CARNEIRO, Mário de Sá. Obras Completas de Mário de Sá-Carneiro – Poesias. Lisboa: Ática, s. d. v. 2)